Corpflex

A probabilidade de uma organização ser consistentemente inovadora sem ter uma estratégia de inovação definida é a mesma de alguém chegar a um destino se estiver à deriva no mar, sem uma bússola ou norte planejado: zero. Nas escolas, venderam-nos a falsa ideia de que poderia cair uma maçã sobre nossa cabeça, como teria acontecido com Newton, e pronto: descobriríamos a lei da gravidade. Não nos contam os anos de pesquisa e os profundos estudos que antecederam o episódio e permitiram a epifania. O mesmo ocorre no campo empresarial. Pode-se considerar que existem três tipos de empresários: aqueles que não enxergam os movimentos de seu mercado e, portanto, caminham para a estagnação; aqueles que enxergam e nada fazem, esperando que o acaso dê conta de lhes garantir o sucesso; e aqueles que enxergam as tendências e preparam uma estratégia para capturar as oportunidades da mudança do setor. João Alfredo Pimentel, sócio-fundador e presidente do Conselho Administrativo da CorpFlex, pertence ao terceiro time. O próprio nome de sua empresa, CorpFlex, evoca a ideia de “corporação flexível”, o que toda organização inovadora, em tese, deveria ser.

No caso da Corpflex, adaptabilidade era uma questão de vida ou morte para o negócio. Afinal, desde sua fundação, já lidava com tecnologia de ponta e inovação.
No início dos anos 1990, era comum que as empresas rodassem seus sistemas de informação em mainframes, computadores de grande porte que exigiam grandes investimentos em compra de equipamentos e manutenção. O advento das redes locais de microcomputadores, as redes LAN, trouxe agilidade e redução de custos, impelindo as companhias a abandonar os mainframes e aderir a redes locais.

Formado em engenharia elétrica, com ênfase em eletrônica e especialização em micro-ondas para transmissão de dados, João Alfredo Pimentel acompanhava atentamente os movimentos desse mercado e tinha um propósito, que era criar uma disruptura em seu setor.

Em 1992, ele criou a NetMicro, uma integradora de soluções, para atender à nova demanda por redes locais – o embrião da CorpFlex de hoje; mesmo naquela época, já era uma empresa muito focada em compreender o que o mercado poderia desejar e movimentar-se na direção identificada antes dos concorrentes e das empresas maiores. Buscava e aplicava tecnologia de ponta, antecipando-se aos competidores e adotando a flexibilidade como mote. As escolhas foram acertadas, o negócio cresceu rápido e, oito anos depois, João Alfredo novamente revisou sua estratégia com base nos pilares tecnologia e posição em relação a concorrentes. Com o tempo, a NetMicro passou a oferecer também serviços de gestão de telecom e segurança da informação.
A empresa ia bem, mas seu fundador já percebia uma mudança nos ventos tecnológicos. Começou, ainda de maneira incipiente, a entregar ambientes de tecnologia como serviço remotamente no modelo ASP (Application Service Provider), iniciando o modelo cloud computing, ou seja, armazenamento de dados fora das empresas, em locais seguros e acessíveis. Com o desenvolvimento desses sistemas, ficou claro que qualquer empreendimento muito em breve teria duas opções: comprar tecnologia para utilizar internamente ou contratar um serviço para armazenar e rodar seus sistemas gerenciais em uma nuvem.

A NetMicro oferecia a primeira opção, e como tal era um empreendimento de sucesso, mas não o seria por muito tempo. Advém, então, mais um ciclo de revisão estratégica com foco em tecnologia, competidores e significado e, em 2004, o corajoso movimento de criar outro negócio, totalmente novo – agora sim a CorpFlex – para atender a essa demanda. A estratégia decodifi cada para discurso de vendas era música para os ouvidos dos clientes: eles não precisariam mais imobilizar ativos de tecnologia, comprometendo seu capital, nem se endividar para adquirir máquinas, servidores e softwares que rapidamente se tornavam obsoletos. Por uma fração desse investimento, poderiam contratar os serviços da CorpFlex com pagamentos mensais recorrentes e ter acesso rápido, fácil e seguro a toda a infraestrutura de cloud e sistemas sobre seu negócio, que fi cariam armazenados em um ambiente remoto.

Havia, porém, dois problemas.
O primeiro: se a NetMicro oferecia gerenciamento interno de redes e a CorpFlex vendia serviços de armazenamento de dados em nuvem, estava claro que João Alfredo tinha sob seu comando dois negócios antagônicos e produtos que se sobrepunham. A decisão estratégica, nesse caso, foi promover o que chamou de “destruição criativa” gradual da NetMicro, que tinha receitas pontuais de integração, porém perdia terreno para o negócio mais disruptivo, o qual passara a contar com receita mensal recorrente graças a contratos firmes de até cinco anos. Durante quatro anos, as duas companhias chegaram a caminhar em paralelo, ambas com bons resultados. Porém, o faturamento da CorpFlex crescia a um ritmo mais acelerado do que o da NetMicro, ano a ano. Veio então uma nova decisão estratégica: em 2008, os dois negócios se uniram sob a denominação CorpFlex S/A, marcando o início de uma jornada de evolução da governança corporativa da empresa e foco ainda mais amplo na gestão.

O segundo problema era uma consequência direta e muito comum nas empresas inovadoras: as naturais barreiras diante do ineditismo no mundo dos negócios. Em meados dos anos 2000, quando apresentava sua proposta a possíveis clientes, João Alfredo era acolhido com entusiasmo (pelos benefícios e pela redução de custos que propunha), mas também com desconfiança. E se o link cair?, perguntavam-lhe. E a segurança dos dados? A essas inquietações o empresário respondia apresentando soluções de conectividade mais efi cientes e seguras que as operadoras de telecom e pedindo um voto de confiança, reafirmando sua capacidade de entregar as melhores soluções. Havia, porém, outras perguntas mais difíceis de responder, como, por exemplo, quem mais oferecia aquele serviço no Brasil.

“Só assim o departamento de compras poderá fazer outras cotações”, diziam a João. Por ser pioneira em um segmento de negócios que envolve tecnologias avançadas, a CorpFlex precisou vencer muitas resistências e inseguranças de seus clientes. João Alfredo buscou novos canais indiretos de venda e estabeleceu alianças comerciais e estratégicas com as fabricantes de softwares e todos os seus canais de distribuição; assim conseguiria hospedar as soluções na Corp-Flex entregando o formato SaaS (software como serviço). A ideia era evangelizar definitivamente o modelo no Brasil. Aos poucos, os primeiros cases de sucesso pavimentaram o caminho para outros. Ficou cada vez mais evidente que entregar a gestão de seus sistemas a uma empresa especializada em ambientes remotos abria aos clientes possibilidades renovadas de canalizar esforços para a atividade central de cada um, sem se preocupar com tecnologia.

Porém, sabemos que não basta ser inovador; é preciso assegurar resultados para seguir investindo em novas frentes. Entre 2005 e 2009, a CorpFlex seguiu aperfeiçoando seus processos de gestão e ajustando aspectos empresariais que ainda pediam melhorias. Em
2010 tornou-se referência em governança corporativa pela Fundação Dom Cabral. Movimento mais ousado veio em 2015, quando a empresa foi ao mercado de capitais buscar investidores para acelerar seu crescimento. A entrada do fundo 2bCapital trouxe uma chancela independente para a já reconhecida governança da companhia.

A CorpFlex fechou 2018 com uma carteira de cerca de 500 contratos, entre os quais a rede Aramis, Della Via Pneus, Femsa Logística, Nokia, Gafor, Crefi sa, Burger King e Método Engenharia, com a melhor margem de Ebitda do setor. Com a chegada de grandes players globais ofertando nuvens públicas, entre os quais Amazon, Google e Microsoft, a CorpFlex lançou a solução UltraCloud de gerenciamento de cloud híbrida. Nesse modelo, algumas aplicações continuam dentro do cliente, outras migram para a CorpFlex e outras ainda vão para as nuvens públicas, sempre buscando a melhor solução para cada cliente. A gestão total dos ambientes em cloud híbrida e a segurança da informação ficam a cargo da CorpFlex.

Empresas de tecnologia, como já afirmamos, vivem processos de mudança muito mais rápidos e intensos do que aqueles que se verificam em outros segmentos. Ao construir uma estratégia de inovação que teve como base as novas tecnologias, a antecipação dos movimentos no setor e um claro significado de empresa flexível que provê soluções e endereça de modo certeiro as dores de seus clientes, a CorpFlex tornou-se um grande player e referência no segmento de nuvem privativa e gerenciamento de nuvem híbrida no Brasil. Graças a essa estratégia sagrou-se ator principal no segmento, pioneiro e protagonista da inovação do setor.

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